Sabe aquelas tardes sem graça? pois é, uma vez no trabalho eu e um grupo já estávamos de saco cheio de olhar o relógio e ver que só havia se passado um minuto,era uma eternidaaade ver as horas passarem naquele domingo a tarde..então, como era de se imaginar começamos a conversar,mas os assuntos raramente agradavam a todos, afinal cada cabeça é um mundo, (principalmente quando se trabalha em um call center). Era mais difícil pra mim na verdade, porque eu particularmente por diversas vezes me sinto o famoso "peixe fora d'agua" no meio daquelas pessoas. Apesar de qualquer barreira pessoal,começamos a conversar e tentamos estabelecer uma certa convergência. Eu não sei quem iniciou o assunto,mas falávamos sobre as coisas que mais odiamos, cada um foi contando uma experiência pessoal de algo que mais detestava na vida, e alguém falou que não suportava seringa,que odiava sentir o toque da agulha,e que o pior de tudo era ver o sangue sendo retirado do seu corpo.
Naquele instante involuntáriamente,reproduzi a cena em minha mente e fui organizando os elementos com clareza,observando os movimentos,tentando chegar mais perto da realidade,procurei o que havia de tão horrível e doloroso,e sinceramente a minha conclusão foi outra..É sem dúvida, UMA DAS CENAS MAIS LINDAS QUE JÁ IMAGINEI!
A agulha encosta na pele cuidadosamente pelo fato de ser um objeto cortante e poder causar um estrago em segundos,o corpo sente o seu toque frio,rígido,e reage com arrepios involuntários mas não se retrái, mesmo entendendo a sua condição de fragilidade diante daquela situação.
É o mais forte abdicando de sua essência,porque mesmo tendo a consciência de que sua finalidade seria agir com brutalidade e frieza,age com cautela e foge completamente à sua natureza agindo com tamanha gentileza..
e o mais fraco que apesar de saber que pode ser ferido a qualquer momento, se entrega de bom grado,como quem não quer nada em troca sabe? apenas se entrega... ficando mais vulnerável do que já é, deixando levar o que considerava precioso, sem questionar, sem pestanejar..
O engraçado é que vivi algo assim.